(Crónicas de um homem queer a caminho dos 50 anos)
E cá estou eu outra vez, estimados leitores. Mais uma reflexão. Vale o que vale, a meu ver vale muito, pois durante anos o meu pensamento era estruturado à imagem daquilo que esperavam de mim. Hoje em dia, quero lá saber... Sempre ouvi a minha avó dizer que quando em velhos, tornávamos a meninos. E por falar desse tópico...
O teu ponto de encontro com a Arte e com a Cultura
Quando Eduardo Mauer, historiador, mestre em educação, actor, artista visual e professor universitário, Nuno Araújo, um apaixonado desde cedo pelas Letras, e Matheus Luiz, jornalista, se juntaram decidiram dar vida a um sonho antigo: MILK: Movimento de Intervenções e Linguagens Kulturais e Artísticas.
Estou a caminho de fazer 46 anos. Por vezes, dou por mim a pensar na sorte que as gerações que vieram depois de mim tiveram, ou, pelo menos, assim o espero. Os jovens de 20 e 30 anos tiveram pais que já não cresceram num país fechado, com um enorme peso cultural nascido duma ditadura que durou 41 anos. Tiveram já acesso à Internet, a uma globalização da cultura, a uma sociedade, embora ainda renitente, mais aberta, inclusiva, acolhedora. Cresceram, e crescem, com uma série de referências à identidade queer na literatura, no cinema, nos meios de comunicação social. Alegro-me por isso, muito...
De 14 a 22 de Junho, o EuroPride 2025 realiza-se pela primeira vez em Lisboa sob o tema “Proudly Yourselves”. Ao longo de uma semana, a cidade vai encher-se de paradas, galerias, conferências e um palco principal que promete vibrar com artistas nacionais e internacionais. Mas o festival não está isento de polémicas.
A data da quarta marcha Pelos Direitos LGBTIQA+ das Caldas da Rainha já foi anunciada pelo colectivo Caldas a Marchar nas redes sociais.
Sábado 14 de Julho é a data escolhida para que activistas e defensores dos direitos das pessoas LGBTI+ percorram as ruas desta localidade do Oeste do país. Está lançado o convite a todas as pessoas para saírem à rua neste momento de luta, partilha e comunidade. Mais informações serão oportunamente divulgadas no perfil do Instagram @caldas.em.marcha
A actriz e argumentista Ana Bola é a grande vencedora da 7.ª edição do Troféu Internacional de Artes Cénicas, promovido pelo Finalmente Club – o mais antigo espaço de transformismo em Portugal.
A cerimónia de entrega do prémio realiza-se amanhã, 25 de Maio, pelas 20h00, e incluirá um espectáculo de homenagem à artista, antecedendo a entrega oficial do troféu. O evento deverá terminar pelas 23h00.
Com uma carreira multifacetada, Ana Bola tem-se destacado no panorama artístico nacional como actriz, humorista e autora. Estreou-se no Teatro Adoque em 1979, integrou a banda Os Amigos — vencedora do Festival da Canção em 1977 — e mantém uma duradoura colaboração com Herman José, com quem trabalhou em diversos programas de televisão de grande sucesso.
Em anos anteriores nomes como Ney Matogrosso, Simone de Oliveira, José Raposo, Maria Rueff ou Herman José foram distinguidos pelo espaço nocturno lisboeta.
Olhos d’Água, de Conceição Evaristo, colectânea originalmente publicada em 2014, faz a sua estreia em Portugal, editada por Orfeu Negro. Os 15 contos que compõem Olhos d’Água reúnem histórias de dor, conexão e resiliência, nas quais permeia nitidamente a vivência da autora na favela do Pendura Saia durante os seus primeiros anos de vida.
Recordo-me da angústia que sentia na minha adolescência por não conhecer ninguém LGBT, de me sentir a única lésbica da escola ou da aldeia onde nasci. Felizmente, apanhei ainda nessa fase o início da massificação da Internet e o surgimento de plataformas de conversa, como as salas de chat (IRC, 1995). Posteriormente, surgiram as aplicações de encontros, como o Tinder (2012), mais popular e generalista, ou as apps voltadas para a comunidade LGBT, como o Grindr (2009) e o Her (2013). Estas plataformas abriram, para mim e para muita gente, uma janela para um mundo de diversidade. Actualmente, são uma das principais formas de conhecer novas pessoas.
(Crónicas de um homem queer a caminho dos 50 anos)
Antes de desconstruir toda a i(lógica) heteronormativa com a qual fui programado, sempre tive uma opinião forte, vincada e nada abonatória em relação aos trabalhadores do sexo. Acrescentando a tudo isto a educação cristã recebida, para mim, do alto da minha torre de marfim, achava inconcebível que uma pessoa desse uso ao corpo em troca de dinheiro. E tão recriminável achava quem se prostituía, como repulsivo quem recorria a tais serviços por não poder fazer, com o respectivo cônjuge, coisas que estavam guardadas apenas para fora do santo matrimónio (Receber um broche da mãe dos meus filhos? Impensável e pecaminoso).
O filme alemão “Ossos e Nomes”, realizado por Fabian Stumm, estreia esta semana em Portugal com o carimbo da produtora The Stone and The Plot.
Boris e Jonathan partilham uma longa história como casal, mas a rotina da relação mudou: embora vivam juntos, passaram a partilhar as noites em espaços separados — ele mergulhado na leitura na cama, e o outro isolado no quarto ao lado, concentrado na escrita do seu romance. Enquanto Boris se envolve intensamente nos ensaios de um novo projeto cinematográfico com uma realizadora determinada, Jonathan enfrenta o desafio de reencontrar a sua identidade literária. Ao mesmo tempo, Josie, a jovem sobrinha de Jonathan, procura formas muito próprias de lidar com a transição da infância para a adolescência.
"Ossos e Nomes" oferece um retrato delicado e bem-humorado de um conjunto de personagens que procuram um sentido de pertença — não só nas suas relações pessoais, mas também no modo como se posicionam no mundo. Um olhar sensível sobre os desencontros, subtilezas e contradições que marcam as dinâmicas humanas.
O filme estará em exibição nas seguintes salas de cinema:
- Cinema City Alvalade, UCI El Corte Inglés e Cinema Fernando Lopes (Lisboa)
- UCI Arrábida (Porto)
- Cineplace Leiria Shopping (Leiria)
- Casa do Cinema de Coimbra e Auditório Salgado Zenha (Coimbra)
Katy Dias nasceu no Sal, a 2 de Outubro de 1999, mas vive na ilha de Santiago. Considera-se uma cantora versátil e este ano está nomeada para o prémio de artista revelação do ano, nos Cabo Verde Music Awards (CVMA), cujo evento acontecerá a 7 de Junho de 2025, assinalando, igualmente, os 50 anos da independência de Cabo Verde.
O primeiro livro publicado em Portugal e no mundo, sobre a "História da Homossexualidade em Portugal, desde o século XIII até ao século XX" é da autoria de Victor Correia, doutorado em Filosofia Política e Jurídica, na Universidade da Sorbonne e pós-doutorado em Ética e Filosofia Política, na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, possuidor de um vasto CV e autor de vários livros de temática LGBTI+.
Fui um dos filhos de Abril de 1974 e nunca pensei chegar o dia em que visse uma força política de extrema-direita ter uma votação tão superior à dos partidos de esquerda. Ontem, 18 de Maio, foi um dia triste para a democracia. Ontem fui um dia extremamente aziago para mim, alguém que desde novo luta por uma sociedade justa e equalitária.
Não há forma simpática de dizer isto: o resultado das Eleições de ontem foi péssimo. Sei que é justamente o que não querem ouvir neste momento. Mas é a realidade e quanto mais depressa aceitarmos isso, mais depressa reagimos.
Viver fora da norma dominante é, muitas vezes, caminhar sobre o fio da navalha. Para muitas pessoas LGBTQIA+, esse fio não é apenas simbólico — é real, cortante e diário. E corta mais fundo quando os discursos políticos e religiosos, em vez de promoverem acolhimento, alimentam estigmas que adoecem, isolam e ferem.
Através de um comunicado publicado hoje aPlataforma Já Marchavasconvoca todas as pessoas para a8.ª Marcha de Viseu pelos Direitos LGBTQIA+, que terá lugar no dia 4 de Outubro de 2025. "Apelamos à mobilização massiva, pois não há mais espaço para a neutralidade":
Assinala-se hoje o Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia — uma data que relembra, ano após ano, a importância de existir, resistir e continuar a lutar pelos direitos da comunidade LGBTQIA+. A escolha do 17 de Maio não é aleatória: foi neste dia, em 1990, que a homossexualidade deixou oficialmente de ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde. Um marco simbólico, sim, mas também um lembrete de que o caminho da dignidade continua a ser construído.