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A pessoa mais velha do mundo com VIH é portuguesa

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A pessoa mais velha do mundo com VIH comemorou recentemente o seu centésimo aniversário. É conhecido na comunidade médica como Miguel, apesar de não ser o seu nome verdadeiro, e é português. É na imprensa internacional que tem tido mais destaque, sendo apelidado de “The Lisboa Pacient” e “Icon of Hope”.

Miguel precisa do auxílio de uma bengala para andar e perdeu parte da visão e da audição, mas nada que não se deva ao processo natural de envelhecimento. Apresenta uma perfeita saúde geriátrica, apesar de lhe ter sido identificado o VIH, aos 84 anos.

Os médicos acreditam que quando lhe foi diagnosticado VIH, em 2004, Miguel seria portador do vírus há uma década. Quando deu entrada no hospital, situado nos arredores de Lisboa, Miguel apresentava então uma forma rara de linfoma e colite, além de um número perigosamente baixo de CD4. Estaria já no estágio final mortal de uma infecção provocada pelo HIV. 

“Sinto-me feliz”, refere Miguel, em entrevista à CTV News. “Passei estes anos sem dificuldades e dores.” Os médicos sublinham a importância de tomar os medicamentos anti-retrovirais sem qualquer falha. 

Inês Pintassilgo, médica que o tem acompanhado, relembra que “se as pessoas tomarem o medicamento, podem viver como as outras pessoas. Acho que essa é a principal conclusão (…) “é isso que ele nos ensina, que se pode viver com o VIH, desde que se tenha todos os outros antecedentes e estilo de vida e comorbidades (existência de duas ou mais doenças crónicas em simultâneo) sob controlo”.

A expectativa de vida de pessoas que vivem com VIH aumentou significativamente com a introdução da terapia anti-retroviral nos anos 90. Hoje, uma pessoa seropositiva de 20 anos que toma medicação tem uma expectativa de vida de 78 anos, segundo um estudo publicado no Lancet HIV em 2017.

Já Miguel nega que seja um “caso especial”, mas especialistas dizem que a sua história pode mudar a vida de 36,9 milhões de pessoas que vivem com VIH em todo o mundo, segundo a ONU. “É claro que 100 anos é algo especial”, destaca o médico Giovanni Guaraldi, especialista em VIH, também em declarações à CTV News. “Esse homem é como um ícone de esperança para pessoas que vivem com VIH”. “Ainda existem muitas pessoas a viver com VIH que consideram a sua doença algo terrível quando, na verdade, independentemente de vivenciar e viver com uma doença crónica, pode-se experimentar um envelhecimento saudável”, prossegue Giovanni Guaraldi.

O “milagre” médico português está a ser alvo de um estudo de caso, para dar a conhecer o caso ao mundo, tirando conclusões e aprendizagens que poderão ser importantes para ajudar milhões de pessoas.

 

Texto: Marta Santos

Foto: CTV News. Miguel acompanhado por Inês Pintassilgo

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