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Aurora Pinho e a sensualidade queer

aurora pinho flesh against flesh.jpg

“Flesh Against Flesh” é o novo projecto musical, um álbum com 14 faixas originais e um remix, da multidisciplinar artista e modelo Aurora Pinho.

Neste trabalho onde podemos ouvir “Não Binária”, em parceria com Rezm Orah - faixa de abertura do álbum, por sinal - “Remember Their Names” e “Nympho Heart Shaped Maniac”, o seu estilo “retro-futurista moderno” sinaliza uma possível reforma na música feita em Portugal, principalmente a feita por pessoas queer.

Aurora Pinho não é apenas uma artista musical que trabalha também como modelo, sejamos claros. Actriz com participações numa lista crescente de séries e filmes, além de projectos cinematográficos de sua autoria, documentários (como o realizado por Carlota Flor, que reconhece como uma grande amiga), Aurora é ainda dançarina profissional. Possui um curso em dança contemporânea da escola Balleteatro no Porto, concluído em 2013, e é colaboradora em inúmeros projectos de artistas e colectivos, queer ou queer friendly. É vista por alguns dentro da comunidade como um sucesso mediático em Portugal. Os seus talentos e importância parecem ser infindáveis. Mas aqui queremos sublinhar a sua nova aventura no mundo da música e o que parece ser uma exploração de “retro-futurismo moderno” fortemente queer com muita sensualidade e toda uma gama de sentimentos numa maior gama de estilos.

“Flesh Against Flesh” conta já com três vídeos oficiais, está disponível na íntegra aqui e é dedicado a Gisberta, Luna, Lara Crespo, Matias Pinto, Mia Rosa, Angelita Correia e André aka Lisboeta Italiano.

Este é o terceiro projecto musical deste calibre desenvolvido pela artista - que até soa a uma descrição diminuta do que ela realmente é, sem sequer falar do que representa – e foi lançado a 13 de Março e pode ser comprado por oito euros directamente na página. Nos vídeos, incubados na moda e expressão queer, principalmente trans, carregados de sensualidade – inclusive um é restrito a menores de idade -, é nos dado um gosto do que é o álbum, que com alguém como Aurora Pinho, tudo surpreende menos a surpresa!

 

Mais sobre o álbum 

A música em si, bem…. tenho de falar sobre isso em tom pessoal. Quando me refiro a um estilo “retro-futurista moderno”, no sempre crescente mundo dos géneros musicais, falo de um estilo que na altura que foi desenvolvido (daí o retro) considerava-se ser o futuro do panorama musical (daí o futurista), e muito influenciou a arte, principalmente nas comunidades marginalizadas sejam sexuais, de género ou raciais, mas feito de uma forma actual e que se encaixa perfeitamente no eco-sistema musical de 2021 (ergo, moderno). Admito ser um descritivo completamente criado por mim, e aproveito para salientar que, embora o EDM tenha ganho sobre este estilo na sua incepção que veio de artistas queer primariamente amadores no advento de programas de composição de música electrónica, o mesmo está a fazer um regresso na esfera musical, mesmo que ainda muito ligado a artistas queer, e com uma maior liberdade de ser o que sempre foi: um estilo de e para pessoas queer para clubs alternativos para essa comunidade. Mas, já se sabe, um hit e do eco-sistema florescem novos artistas mas heteronormativos (não que já não houvesse e haja ou que já não tenha havido hits).

Misturando a agressividade do industrial em algumas batidas, com elementos de dance music em género darkwave, primo do newwave, muito em voga nos anos 80, com muito techno e house, que foram a semente de onde nasceu o dubstep, também incluído na lista de influências presentes no álbum, e um pouco do que é conhecido na comunidade como um “bitch track”, em que as músicas são quase inteiramente faladas especificamente com garra e poder nas palavras e na voz, principalmente com temáticas queer, entre muitas outras influências e inovações, do estilo gótico ao chill a sons originais, Aurora descreve a sua aventura musical, que inclui faixas só instrumentais, em geral como apenas electrónica. Numa entrevista elaborou que a sua música é “experimental (…) talvez algo dark”, mas não gosta de a colocar numa caixa, apenas como expressão da sua experiência, tanto dor como muito mais. Sobre os seus vídeos diz que “a ideia é lançar um visual álbum. Cada vídeo terá um conceito e universo diferente. A música "Rag Doll" foi feita para um grande amigo meu, o Matias Pinto (infelizmente faleceu o ano passado), eu senti-me perdida nesse momento e a música ajudou a extrair parte da dor destrutiva que sentia. Mais tarde quis fazer um vídeo, com uma grande amiga, Carlota Flor, em que retrata força e vida. Tem a ver com o empoderamento por lugares do Porto que frequentamos. Usar a beleza do corpo trans como trunfo e emancipação” comenta Aurora ao dezanove.pt.

A capa e contra-capa do álbum denotam um pouco de tudo do que a artista tenta ser com todos os seus projectos desta índole – uma pessoa orgulhosamente mulher trans que não esconde a sua força, não acalma a sua garra, não reprime a sua sensualidade, recusa falta de ousadia e representa poder na sua originalidade e diferença, sem esquecer que respiram, mesmo só em foto, puro talento - ponto. Não o disse ela, digo eu.

Do álbum, o ouvinte pode antecipar nada mais, nada menos, que um grito de revolução e uma expressão pessoal e sentida, cuidada e caótica, sensual e emotiva, sonora e visceral, mas principalmente uma viagem para um mundo em que cada faixa surpreende na sua sucessão pela positiva. Misturando português com inglês, géneros e expressões, “Flesh Against Flesh” é uma experiência que consegue ser tanto transcendente quando presente, com faixas de se incluir inclusive em playlists para ouvir no ginásio. Mesmo sendo fortemente baseado em temas queer é igualmente universal. Para amantes de música electrónica, é uma obra que exige no mínimo uma ouvida, e para amantes de activismo, apoiar esta artista é fortemente recomendado também. Uma lufada de ar fresco com um toque de nostalgia para quem se lembra do tempo do MySpace, mas que em ponto nenhum sente ser datada ou deslocada do panorama actual. Só não dou mais do que 5 estrelas porque é onde acaba a contagem.

Summy Luís

 

Segue a Aurora Pinho no Instagram , Youtube e site oficial.

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