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Balanço: 146 homens vítimas de violência sexual tiveram apoio nos últimos dois anos

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A Quebrar o Silêncio faz dois anos e para assinalar o segundo aniversário a associação divulga vários dados sobre o apoio que presta a homens vítimas de violência sexual, incluindo informações sobre os pedidos de ajuda que aumentaram para o dobro. Em média, a associação apoia 15 pessoas por mês. A associação vai lançar ainda uma nova campanha de sensibilização.

Aumento nos pedidos de apoio quase que duplicou

Nos primeiros dois anos da associação, 146 homens vítimas de violência sexual procuraram o apoio Quebrar o Silêncio, num universo de 247 registos que também inclui pedidos de familiares e amigos, entre outros casos. «146 homens é um número surpreendente para muitas pessoas porque esta não é uma realidade que seja debatida o suficiente. Continua a existir um grande tabu e estigma sobre o facto de os homens também serem vítimas de violência sexual. Mas é fundamental que estes homens saibam que não estão sozinhos e que podem contar com o nosso apoio para não sofrerem mais as consequências do abuso», refere Ângelo Fernandes, fundador da Quebrar o Silêncio.

O aumento do número de homens que procuram a Quebrar o Silêncio deve-se aos esforços continuados da associação para informar e sensibilizar diferentes públicos. «É preciso passar a mensagem de que não há nada errado com estes homens e que não são um caso único. Muitos destes sobreviventes acreditam que a sua história é isolada e que são a excepção à regra. À medida que vamos trabalhando a visibilidade, vamos chegando a mais sobreviventes e aos poucos vamos vendo os resultados. A prova disso tem sido o aumento dos casos que chegam até à Quebrar o Silêncio.»

 

18 homens tiveram alta e famílias afectadas também procuram apoio

Durante o ano de 2018, foram registados os primeiros homens que terminaram o processo de apoio. «Este ano vimos 18 homens que terminaram o apoio. 18 homens cujas vidas não são mais afectadas pelas consequências do abuso. É uma grande vitória para nós saber que estes sobreviventes têm hoje uma vida estável e que eles próprios, através dos seus testemunhos, ajudam-nos a chegar a outros homens que ainda não nos contactaram», indica Ângelo Fernandes.

 

Quem são os sobreviventes de violência sexual?

Segundo dados da Quebrar a Silêncio é este o retrato de quem acede aos serviços desta ONG:

  • A maioria é a primeira vez que procura apoio.
  • Procuram apoio 20 a 30 anos após o abuso.
  • Média de idades é de 34 anos, sendo que o homem mais novo que procurou a Quebrar o Silêncio tinha 18 anos e o mais velho, 77 anos.
  • Muitas vezes encontram-se num estado de ruptura e/ou desenvolveram estratégias desadequadas  para lidar com o impacto do abuso na sua vida.

Apesar de o apoio ser especializado para homens vítimas de violência sexual, não são só homens quem procura a Quebrar o Silêncio. Familiares e amigos estão também entre as pessoas que contactam a associação. Em 2018, a Quebrar o Silêncio registou um aumento de 13 para 34 casos destas pessoas que procuraram a associação, relativamente ao ano precedente. «Muitas das vezes procuram saber como podem apoiar um irmão, o marido, um amigo. São pessoas que se relacionam com sobreviventes e que nos procuram para saber como agir e como podem apoiá-los. Como lidamos como um tema tabu, é comum que estas pessoas não saibam o que dizer ou o que fazer e, enquanto organização, também damos apoio nesse sentido. Por vezes, recebemos pedidos de apoio de familiares que, por sua vez, sentem que a gestão de toda a situação de violência sexual também os está a afectar, mesmo que indiretamente, e procuram o nosso acompanhamento psicológico».

 

Nova campanha de sensibilização

Para comemorar o segundo aniversário, a associação Quebrar o Silêncio apresenta uma nova campanha de sensibilização. «O objectivo desta campanha é passar a mensagem que os sobreviventes não estão sozinhos e que podem contar connosco. Mas ao mesmo tempo queremos sensibilizar o público para o facto que, nos dois primeiros anos da associação, 146 homens vítimas de violência sexual procuraram o nosso apoio e que estes casos não são pontuais nem raros. Sabemos que 1 em cada 6 homens é vítima de alguma forma de violência sexual antes dos 18 anos. Estes 146 homens que nos procuraram são apenas a ponta do icebergue. Esperamos que através do novo vídeo e dos mupis que estão por toda a cidade de Lisboa, consigamos reforçar os nossos esforços para informar e sensibilizar.»

"Sabemos que 1 em cada 6 homens é vítima de alguma forma de violência sexual antes dos 18 anos".

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