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Como é ser LGBTI no concelho de Ovar

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Um estudo que tem por base entrevistas a 64 pessoas que se identificam como LGBTI ajuda a perceber como é a realidade da comunidade do concelho de Ovar. O trabalho foi desenvolvido pelo estudante de Psicossociologia Pedro Valente, morador do concelho e que tem realizado activismo na temática LGBTI, da inclusão e diversidade social.

“A população LGBTI do concelho de Ovar revela de maneira geral, que apenas algumas das pessoas de importância pessoal ou do seu dia a dia do concelho de Ovar sabem que a pessoa em questão é lésbica, gay, bissexual, transgénero e/ou intersexo”, referem as conclusões. Assim, 36,4% das pessoas lésbicas diz que a maioria sabe da sua orientação sexual, 54,5% apenas algumas têm conhecimento e 9% que todas sabem. No caso das pessoas gay, 58% manifesta que apenas algumas pessoas sabem, 17% diz que todas as pessoas sabem e 25% diz que a maioria tem conhecimento. Entre as pessoas bissexuais, 70,3% diz que apenas algumas sabem, 5,4% sabem todas, 3% sabe nenhuma e 22% sabe a maioria.

O estudo indica também que 57% das pessoas LGB diz ter preferido esconder sentir atracção homossexual em receio de sofrer discriminação ou preconceito, e 37% assegura que já passou por essa discriminação. Além disso, 46% das pessoas bissexuais diz ter preferido esconder sentir atracção por mais de um sexo por receio de sofrer discriminação ou preconceito, e 30% passou por tal.

As conclusões também referem que 64% das pessoas do estudo escondeu ser lésbica, gay, bissexual, transgénero e/ou intersexo por medo de discriminação ou preconceito, e 51% já passou por tal. Mesmo existindo discriminação na procura de emprego, no emprego, nos serviços de saúde, na educação e em outras situações, assim como situações de agressão sexual, psicológica e física apenas pela pessoa ser lésbica, gay, bissexual, transgénero e/ou intersexo, 86% das pessoas LGBTI vítimas de discriminação não denunciaram a alguma autoridade o acontecido, tendo apenas 3% das denúncias sido feitas à polícia e 6% das denúncias foram feitas às autoridades da escola, como docentes ou ao conselho directivo.

“Existe também uma crença por parte de certas pessoas LGBTI que a discriminação por parte de parentes não é denunciável. Este estudo pretendia demonstrar que em muitas situações, as pessoas LGBTI do concelho de Ovar não se sentem em segurança nas suas escolas, casas, empregos, entre outros espaços, por serem alvo de insultos, assédio e outras atitudes discriminatórias motivadas pelo preconceito em função da orientação sexual, identidade de género, expressão de género ou características sexuais. As experiências partilhadas parecem apontar nesse sentido”, referem as conclusões, que deixam ainda um ponto positivo: “Os resultados parecem também apontar que em locais como a Escola Secundária Júlio Dinis, onde efectivamente existem acções de visibilidade das temáticas LGBTI, através de cartazes, conteúdo com representatividade LGBT na biblioteca escolar, dias de visibilidade das temáticas LGBTI e luta contra a discriminação dessas pessoas, entre outras iniciativas, parece existir um maior sentimento de segurança e pertença por parte dessa população. A existência de estudantes, docentes e não docentes que apoiam abertamente pessoas LGBTI também parece influenciar o ambiente escolar para essas pessoas”.

O estudo completo pode ser consultado aqui.

 

Foto: Facebook da CM Ovar

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