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Consumos sexualizados de drogas: um olhar diverso

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O sexo sob efeito de drogas, ou consumo sexualizado de drogas, não é novidade. Desde tempos ancestrais que o álcool e/ou outras substâncias têm sido usados para facilitar ou amplificar as experiências sexuais em contextos hedonistas. As drogas e o sexo têm em comum o facto de nos proporcionarem experiências de prazer, desinibição e conexão com os/as outros/as e connosco próprios/as.

No entanto, estes comportamentos continuam sujeitos ao escrutínio e a normas sociais que os inibem, degradam e, muitas vezes, os remetem para a esfera da desviância, principalmente quando acontecem em conjunto. Os discursos sobre sexo e sobre drogas continuam a ser muito simplistas e centrados apenas em dimensões de risco e “perigo” desconsiderando, na maior parte dos casos, os benefícios e prazer que proporcionam, e também a sua complexidade. Por esse motivo, é necessário abrir um diálogo franco, que considere as reais expetativas e motivações de quem consome. Em contexto sexual, as drogas podem ser usadas para maximizar o prazer, para desbloquear o contacto com o outro, para facilitar a intimidade, a performance sexual, o cumprimento de expectativas ou a gestão da rejeição. Só reconhecendo esta realidade, e não ocultando os benefícios e prazer que estão associados, se pode abordar também os seus riscos. Esse reconhecimento e abertura são importantes não apenas porque as motivações e padrões de consumo não são todos iguais, mas também porque há diferentes exposições ao risco, ao perigo e ao estigma.

É necessário abrir um diálogo franco, que considere as reais expectativas e motivações de quem consome. Em contexto sexual, as drogas podem ser usadas para maximizar o prazer, para desbloquear o contacto com o outro, para facilitar a intimidade, a performance sexual, o cumprimento de expectativas ou a gestão da rejeição. Só reconhecendo esta realidade, e não ocultando os benefícios e prazer que estão associados, se pode abordar também os seus riscos.

Neste caso, as normas sociais impõem-se e acabam por marginalizar e estigmatizar de forma ainda mais acentuada os consumos de drogas e a autodeterminação sexual de mulheres e pessoas LGBTQI+ e invisibilizar os riscos específicos que as afectam. A este nível, destacamos o chemsex, uma prática que nos últimos anos tem vindo a ser mediatizada recorrendo, muitas vezes, a um tom demasiado negativo e alarmista. O chemsex significa diferentes coisas para diferentes pessoas, mas, em geral, diz respeito ao sexo sob o efeito de determinadas substâncias (GHB/GBL, catinonas sintéticas, crystal meth, poppers, ketamina) entre homens que fazem sexo com homens e pessoas queer. Para muitas pessoas esta prática surge como uma solução para facilitar ou potenciar a sua sexualidade, no entanto, para outras, implica alguns riscos e consequências negativas que é importante considerar. Por esse motivo, a Kosmicare [1], em parceria com o GAT-CheckpointLX [2], e com apoio do SICAD e da Câmara Municipal de Lisboa lança a primeira campanha em Portugal sobre chemsex. Esta iniciativa procura apoiar a redução de riscos associados a esta prática em específico e contribuir para a promoção de serviços de saúde sensíveis ao género e orientação sexual das pessoas que os procuram. Sabemos que acolher a diversidade é ainda um desafio para os serviços que trabalham na área das drogas, da saúde e da educação sexual. No entanto, reconhecer a diversidade, em termos de género e orientação sexual, é inevitável para garantir o acesso igualitário e universal à saúde. Esse passo é fundamental para promover uma educação para o consumo de substâncias psicoativas baseada na evidência e atenta às necessidades e expectativas das pessoas que as usam, libertar a sexualidade dos seus múltiplos tabus e contribuir para que as políticas de drogas sejam pragmáticas, humanistas e intersecionais.

 

Cristiana Vale Pires, Associação Kosmicare

Ricardo Fuertes, assessor do Vereador Manuel Grilo, Câmara Municipal de Lisboa

 

 

[1] www.kosmicare.org Em Lisboa a Kosmicare tem um espaço onde disponibiliza um serviço de drug checking (análise química de substâncias psicoativas), para dar informação sobre o real conteúdo e potência das substâncias psicoativas que circulam nos mercados informais em Lisboa, e uma consulta de apoio à integração de experiências de crise psicológica relacionada com o uso de drogas ou de apoio à gestão dos consumos, para reduzir riscos. 

 

[2] www.checkpointlx.com 

 

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