Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Dezanove
A Saber

As notícias de Portugal e do Mundo

A Fazer

Boas ideias para dentro e fora de casa

A Cuidar

As melhores dicas para uma vida ‘cool’ e saudável

A Ver

As imagens e os vídeos do momento

Praia 19

Nem na mata se encontram histórias assim

Homofobia, preconceito, discurso de ódio e misoginia

Helena Ferro de Gouveia.png

Pensei muito, muito mesmo antes de escrever o que vou escrever, porém quero e preciso de o fazer para que a intimidação, a ameaça, o silenciamento, o bullying não triunfem.

 
Vou falar de homofobia, preconceito, discurso de ódio e misoginia:
Vamos lá então:
 
1. Quem me segue aqui viu, ou poderá ver porque é público, o post que coloquei sobre as braçadeiras do capitão português e do capitão alemão.
A UEFA saúda que os jogadores usem a braçadeira Respect, uma campanha que já data de 2008, no combate ao racismo no desporto, algo infelizmente demasiado comum, como aliás vimos recentemente em Portugal com Marega.
Neste Europeu houve selecções que se escolheram, porque o futebol é política também, ajoelhar-se em campo, símbolo extraordinário contra o racismo, sendo uma das bandeiras do movimento "Black Lives Matter", que luta contra a discriminação racial. Na Europa, ganhou força após a morte de George Floyd, em maio de 2020 nos Estados Unidos. É na Liga Inglesa que mais vemos este gesto de ajoelhar antes do início de cada jogo.
Estive na última manifestação anti-racista em Lisboa e ajoelhei-me também. Ao lado de outros que acreditam como eu que a defesa dos Direitos Humanos não é exclusivo de partidos políticos, de “esquerda” ou da “direita”, que é de todos. Estive em manifestações anteriores, escrevi para o SOS Racismo. Luto diariamente pela anti-discriminação racial, homofóbica, de género.
 
2. Ontem, neste mês que é dedicado ao combate à homofobia, considerei o gesto de Manuel Neuer e a escolha da seleção alemã - que aliás pediu à UEFA para iluminar a Allianz Arena com as cores do arco-íris para receber a seleção húngara como sinal muito claro que a Alemanha não tolera que os direitos de minorias sejam pisados com os pés por um regime iliberal - muito digno e ontem por todo o mundo houve manifestações de apoio aos direitos LGBT. Escrevi dois capitães, duas selecções, duas formas de encarar os Direitos Humanos.
 
3. O que eu fui fazer ao colocar este post no Twitter. Seguiu-se uma tempestade de violência verbal, ofensas, bullying, cuja argumentação era a seguinte:
- “traidora do povo” por defender a anti-racismo;
- “racista, agora as bichas tem mais direitos que os pretos”
- “os LGBT não estão ameaçados na Europa”
Os clássicos:
- “vai para o caralho”
- “reacionária”
- “mal fodida”
- deixa o Ronaldo em paz
- queres é deixar entrar islamistas na Europa.
- defendes a China
E um conjunto de ameaças à minha vida e integridade física, incluindo uma com uma fotografia minha.
 

 

 
4. Fiz uso do botão de bloqueio, porque se na vida real não tolero abusos, nem debato com pessoas violentas, homofóbicas, racistas ou fanáticos de qualquer de tipo, o que enraiveceu ainda mais a turba. E reportei os twitts um após um a quem de direito. Acreditem que é um exercício de uma enorme violência e profunda solidão.
Fiz uso do botão de bloqueio, porque se na vida real não tolero abusos, nem debato com pessoas violentas, homofóbicas, racistas ou fanáticos de qualquer de tipo.
5. As pessoas andam cada vez mais literais, são incapazes de um exercício de literacia básico, ou de procurar saber algo acerca da pessoa com quem interagem e que tentam desvalorizar com o recurso à violência verbal. Outras são de facto incapazes de ler e interpretar a palavra escrita o que me faz dar o desconto a algumas coisas.
Aqui houve uma conjugação de factores: uma mulher a falar de futebol, questionando a braçadeira capitão da selecção (intocável para demasiados), defendendo a luta contra a homofobia e criticando um país iliberal como a Hungria, para que pessoas que nunca levantaram o rabo do sofá para nada se tornem numa matilha de guerreiros do teclado a fazerem bullying.
O embate foi muito duro, fiquei de rastos, e desactivei por uns tempos a conta do Twitter, até porque quero enviar todos os print screens para a polícia, porém dele fica uma certeza: não serão homofóbicos, nem groupies do Ronaldo, menos ainda machistas ou extremistas políticos que me calarão. Ver uma mulher a expressar pensamento ainda parece incomodar
Sou uma mulher livre, absolutamente livre. E se há coisa que abomino é covardia e matilhas.
Não serão homofóbicos, nem groupies do Ronaldo, menos ainda machistas ou extremistas políticos que me calarão. Ver uma mulher a expressar pensamento ainda parece incomodar. Sou uma mulher livre, absolutamente livre. E se há coisa que abomino é covardia e matilhas.
 
Se precisamos de medidas de combate ao discurso de ódio nas redes sociais e de penas de prisão efectivas? Precisamos. O direito à honra, ao bom nome e a não ser injuriado e caluniado também existe no espaço virtual.
 
([acima estão] alguns exemplos, os mais inócuos, poupo-vos aos mais violentos verbal e graficamente e às mensagens privadas)
 
 
Helena Ferro de Gouveia 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.