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Madame X faz gostoso

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Foi um dos assuntos que abalou a indústria musical. Quando no ano passado surgiu a notícia de que a rainha da pop estaria a preparar um novo álbum na maior das descrições, criou-se rapidamente uma enorme expectativa.

Criar, inovar, fazer diferente. Quarenta anos depois, Madonna não perdeu a capacidade de nos surpreender a cada novo trabalho. E desta vez, não foi excepção. É muito mais que um simples disco. Madame X é a reinvenção de uma artista. Uma de tantas outras. Mas talvez a maior de todas elas.

Madame X é o alter ego da artista que assume várias identidades e personalidades ao longo de todo o disco. Uma agente secreta que corre o mundo, lutando pela liberdade e trazendo luz a lugares escuros. É uma professora, uma cantora de cabaret, uma freira, uma prostituta, uma santa e uma prisioneira. Mas, acima de tudo, Madame X é uma viajante solitária que percorre o mundo e se deixa contagiar pelo que vê, pelo que sente e pelo que aprende. Qual caravela de quinhentos, Lisboa é o ponto de partida de uma viagem cujas paragens por Medellín, Nova Iorque, Rio de Janeiro ou Cabo Verde trazem-lhe novas musicalidades, novas sonoridades, novos ritmos e novos idiomas, e Madame X adicionará todas estas experiências ao seu pop, assumindo este disco, um carácter de música de fusão, de world music, onde o inglês se cruza com o português e o espanhol e o pop se cruza com o fado, a morna e o reggaeton.

É a celebração da diversidade e da pluralidade, num mundo onde, muitas vezes, a autenticidade e a diferença são condenadas. É esse o mote para “Dark Ballet”, no contexto actual de LGBTIfobia em diversas partes do mundo, uma canção que versa sobre a diferença em cujo videoclip é queimado um transgénero seropositivo pela inquisição. Uma metáfora sobre a nova inquisição, a intolerância travestida de “opinião” que diariamente afecta milhares de pessoas lgbtq. É o regresso da Madonna política, atenta, assertiva, incómoda e, - sempre! -, partidária da liberdade e da verdade.

À pergunta de qual o lugar de Portugal no novo álbum, podemos responder que a presença portuguesa é uma constante. Como um dia nos disse Fernando Pessoa, “o povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo”. Numa recente mensagem deixada ao seu público português, Madonna foi clara: “Olá, Portugal. Sou a Madonna e o meu novo álbum, Madame X, foi inspirado em, e é uma carta de amor para ti, Portugal, e para a sua bela cultura. Obrigada!”. Lisboa é a janela aberta para um mundo de descobertas, uma cidade global e cosmopolita onde se cruzam continentes, culturas e sensações.

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Se Maluma traz os ritmos reggaeton da América Latina, tão dançáveis e bem dispostos, de “Medellín” e “Bitch i’m loca!”, Quavo em “Future” e Swae Lee em “Crave”, trazem a Madame X uma roupagem urbana do rap e do trap. “Killers Who Are Partying”, revela uma notória influência do fado na melodia, no som da guitarra portuguesa e na melancolia dos versos em português (“o mundo é selvagem, o caminho é solitário”); haverá novos versos na língua de Camões também em “Crazy”, (“eu te amo, mas não deixo você me destruir”) ou em Extreme Occident (“aquilo que mais me magoa é que eu não estava perdida”); “Batuka” é um momento de celebração espiritual ao som do batuque cabo-verdiano, que Madonna já revelou ser grande apreciadora.

Contudo, é com “Faz gostoso” que a portugalidade assume o seu auge em Madame X. É muito mais que a regravação de um tema de Blaya. É a celebração da mulher livre, sexual e autodeterminada, a que Madonna nos acostumou. Uma paragem de Madame X pelo Rio de Janeiro em que embarca Anitta, estrela brasileira em ascensão (a cantora latina mais ouvida no mundo) também ela ícone do empoderamento feminino. Ao ritmo contagiante do funk carioca, as artistas cantam o prazer sexual de um homem que lhes “faz gostoso”. É o regresso da Madonna provocadora e controversa que em plena revolução sexual nas décadas de 80 e 90 choca o mundo com “Like a virgin” e “Erotica”. “Faz Gostoso” faz as delícias da crítica internacional e do público que soma mais views e streams nas plataformas digitais. Para o The Guardian, é o mais forte de todos os duetos, com “uma batida frenética que está em algum lugar entre o baile funk e o kuduro angolano”. Para o também britânico The Sun, é “o momento mais divertido do álbum – uma celebração latina de como mover o seu corpo e festejar”, dando destaque ao final da canção como “totalmente eufórica”. E para a revista americana Variety “Anitta oferece um contraponto feminino muito mais interessante para Madonna do que suas colaboradoras anteriores Britney Spears (em Me Against the Music) e Nicki Minaj e M.I.A. (em Give Me All Your Luvin’).”

Empoderada, sexual, determinada, política, aos sessenta anos Madonna recusa viver de glórias passadas e mostra que idade, género ou nacionalidade, não são barreiras quando se sabe fazer gostoso.

 

 

Filipe de Oliveira

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