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Noé João: "Ainda há pessoas que são oprimidas e invisibilizadas"

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A  Revolta de Stonewall, do dia 28 de Junho de 1969, significa para mim o estalar do verniz relativamente a toda e qualquer tipo de violência e discriminação contra a população LGBTI+, arrastando consigo, a discriminação de outras minorias naquele contexto específico. Como foi o caso de Marsha P. Jonhson, uma mulher trans negra e activista, que esteve engajada na luta dos negros/negras LGBTI+, e que confrontou o sistema do patriarcado.

 

A revolução de Stonewall deve-se à iniciativa de jovens discriminados e destemidos que enfrentaram um sistema que os humilhava e não os representava.

E foi por causa destes jovens que hoje temos colectivos e associações que defendem causas e direitos LGBTI+ com coragem e que transformaram este dia em dia de reflexão, de luta pelos direitos ainda não alcançados, e de salvaguarda pelos direitos que vamos adquirindo.

É importante que as pessoas saibam a história do movimento.

O movimento LGBTI+, faz parte de um mundo contemporâneo. É preciso respeitar as diferenças de géneros, sexualidades, etnias e religiões que durante muito tempo foram silenciadas. Esta sociedade viveu durante muitos anos debaixo do preconceito.

O meu activismo pela defesa de pessoas LGBTI+, é o legado da Revolta de Stonewall. A minha luta é diária e visa transformar as pessoas à minha volta, quero ser a voz e o rosto daqueles que, por medo, opressão, não conseguiram expressar-se. E a esta luta, junto a luta afrodescendente, criando uma intersecção e dando visibilidade as questões do racismo e da discriminação de pessoas LGBTI+, apontadas como o outro.    

E a esta luta, junto a luta afrodescendente, criando uma intersecção e dando visibilidade as questões do racismo e da discriminação de pessoas LGBTI+, apontadas como o outro.

Saio à rua para marchar, não só para mostrar as purpurinas e fantasias, mas também para reivindicar, afirmar e reflectir sobre este dia, não esquecendo que há ainda pessoas  que são oprimidas e invisibilizadas.

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Nestes 50 anos de Stonewall, recordo o início do meu activismo. Começou em Angola na clandestinidade. Os primeiros passos foram dados em pequenos grupos LGBIT+, em reuniões feitas em casas de pessoas amigas. Ainda muito jovem e um pouco assustado, mas ao mesmo tempo contente por finalmente estar em ambiente onde podia falar da minha sexualidade livremente. E foi a partir dessas reuniões informais onde decidi dar mais um passo em frente nesta luta. Decidi fazer reportagens dos eventos organizados pela comunidade LGBTI+ de Angola, o que ainda faço até à presente data.

Ainda muito jovem e um pouco assustado, mas ao mesmo tempo contente por finalmente estar em ambiente onde podia falar da minha sexualidade livremente.

Abracei esta causa porque sou da opinião que ninguém deve viver oprimido, ou impedido da sua liberdade e direitos, de ser quem quiser, e de alguma forma lutar para que gerações futuras não passem pelo mesmo que a minha geração passou.

Por outro lado, existem ameaças que podem atrasar ou mesmo anular os direitos já conquistados. E isso verifica-se com exemplos de países onde projectos de lei podem mudar consoante a saída ou entrada de um governo (os direitos conquistados não são dados como adquiridos). Por outro, a falta de noção política e estratégia reivindicativa de muitos colectivos,faz com que enveredem pelo mercantilismo e a turistificação. Por isso, temos de lutar sempre, para manter e conquistar outros direitos.

Neste dia eu como negro LGBTI+ vou sair à rua e marchar com orgulho em homenagem a Marsha P. Jonhson.

 

Noé João, activista e guionista

 

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