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Com 2018 a chegar ao fim, não podíamos deixar de fazer o balanço dos acontecimentos, projectos, pessoas, iniciativas e lançamentos que marcaram o ano. Aqui ficam as nossas escolhas.

 

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Acontecimento Nacional: Marchas do Orgulho LGBTI em Portugal. Foi o ano em que mais Marchas do Orgulho LGBTI saíram à rua das cidades portuguesas: Pela primeira vez Bragança, Guimarães, Viseu, Faro... E o regresso da marcha a Ponta Delgada. Mas esta distribuição geográfica reivindicativa chegou também a Braga, Coimbra, Vila Real e Funchal para além das já habituais Lisboa e Porto. Oito anos depois da aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, um marco legislativo incontornável no nosso país, continua a assistir-se a muita homofobia, bifobia e transfobia que urge sinalizar e erradicar. A visibilidade na rua é o primeiro passo para a confiança em ser-se quem é e amar sem medos.

 

 

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Personalidades Nacionais do Ano: Tiago Lila e João Caçador. O que pode mais a comunidade LGBTI de um país desejar? Ter figuras que dão a cara pelas causas da igualdade. Eles não são só fadistas, são activistas, são os nossos pares a reivindicar os nossos direitos em todas as plataformas a que têm acesso. Na rua, nos eventos privados, nas marchas, na televisão, na imprensa. Não façam silêncio, nunca, porque queremos muito continuar ouvir o nosso Fado, Lila Fadista e João Caçador!

 

 

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Político do Ano: Adolfo Mesquita Nunes. Em entrevista ao Expresso, Adolfo Mesquita Nunes revelou, publicamente, que era homossexual. Mesquita Nunes é vice-presidente do partido mais à direita no parlamento nacional, o CDS. Além de advogado, é vereador da Câmara da Covilha. Foi deputado e secretário de Estado do Turismo no governo de Passos Coelho. Como destacou o Expresso, foi a primeira vez que “um alto dirigente de um partido português fala publicamente sobre a sua homossexualidade”.

 

 

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Coming Out do Ano: Célio Dias. Foi o primeiro atleta olímpico português a afirmar-se  homossexual, ainda por cima numa entrevista a um jornal desportivo (Record). Aos 25 anos o judoca tornou-se numa inspiração para muitos jovens e para muitos desportistas profissionais e amadores que continuam a esconder a sua orientação sexual.  “Tenho lidado bem com a minha homossexualidade. E a partir de determinado momento não fazia sentido esconder. Posso ser perfeitamente feliz como qualquer pessoa”, declarou. 

 

 

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Activista do Ano: Fernando Santos (título póstumo). Se não fosse a sua morte prematura em Agosto, por esta altura Fernando Santos estaria a apresentar o projecto de uma nova associação que pretendia envolver diferentes religiões no combate à discriminação em função da orientação sexual e identidade de género. Padre anglicano, Fernando Santos tinha dado a cara em vários debates sobre religião e questões LGBTI, fosse no evento “dezanove ao vivo”, que decorreu no Centro LGBT, fosse no encontro europeu IDAHOT, em Lisboa, a convite do governo português. Terá sido o primeiro clérigo português a defender o activismo cristão para questões LGBT. Foi a enterrar envergando uma estola com as cores do arco-íris.

 

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Associação do Ano: GAT. É possível que haja mais gente a conhecer o centro comunitário CheckpointLX do que a associação que está por detrás do projecto: o GAT – Grupo de Activistas em Tratamento. Além do centro no Príncipe Real, esta associação é responsável por outros centros de intervenção comunitária em Lisboa, como o Espaço Intendente e o In-Mouraria. É ainda responsável pelo Centro Anti-Discriminação VIH e SIDA com apoio jurídico e informativo, e pela presença em saunas para realizar testes de VIH. Se não fosse o GAT, em que ponto estaria a discussão, reivindicação e democratização do acesso à PrEP em Portugal? É a associação que faz o trabalho mais sério e sustentado relativo a questões de saúde para a população LGBTI.

 

 

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Espaço LGBT do Ano: Villa 3 Caparica. A aposta numa unidade de alojamento por parte dos proprietários do Bar Tr3s é exemplar na diversificação de negócios LGBTI fora dos centros urbanos habituais. A principal praia gay friendly do país, a praia 19, conta agora com um hotel a pouca distância, mostrando que Portugal está no bom caminho para a oferta de espaços dedicados ao público LGBTI ao nível do melhor do mundo neste sector. 

 

 

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Revelação do Ano: Camel Toe / Bruno Cunha. Chegou, viu, pôs as coisas em pratos limpos e venceu. A reportagem da TVI sobre a arte do transformismo deu a conhecer no horário nobre da televisão a figura de Camel Toe, aka Bruno Cunha. À reportagem seguiu-se o debate em estúdio e a este uma discussão nos dias seguintes acerca do que queremos para o nosso país: uma sociedade atacada no passado ou uma sociedade que educa para a diversidade? Bruno Cunha não teve papas na línguas e contribuiu para posicionar, quem preso nas trevas das suas opiniões retrógradas, já deveria ter chegado ao século XXI. Vale a pena conhecer também o documentário sobre a sua vida, da autoria de Alexandra Barbosa. 

 

 

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Iniciativa do Ano: Queerquivo. Nasceu como um projecto digital de memória LGBTI e já deu origem a um livro. O Queerquivo, dirigido por André Murraças, baseia-se em textos escritos por diversas personalidades sobre figuras como Reinaldo Ferreira, Gisberta, António Variações, Amália Rodrigues, Filipe La Féria, Valentim de Barros, António Botto, Lydia Barloff, ou mesmo eventos como a telenovela e a Eurovisão. São relatos na primeira pessoa que ajudam a perceber o que é a identidade queer portuguesa.

 

 

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Evento do Ano: Miss Drag Lisboa. Já não restam dúvidas. A semente de RuPaul veio para ficar em Portugal com engenho e muita arte. O evento organizado pela equipa de Miss Moço fez do Estúdio Time Out, no Mercado da Ribeira, em Lisboa mostrou a todos os presentes que existem performers de luxo que, felizmente, já vão marcando presença em várias campanhas e casas nocturnas disseminado uma vida onde o respeito por esta arte, tão criticada no passado, é agora rainha de muitas noites.

 

 

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Espectáculo do Ano: Eurovisão. Não foi preciso haver um World Pride. Lisboa foi invadida por fãs que cruzam a paixão pela música com a liberdade de viver a sua sexualidade sem preconceitos. Milhares de turistas enturmaram-se na cidade, andaram de mãos dadas, beijaram-se e mostram o quão Lisboa pode ser uma cidade de liberdade para todos que respeitam a bandeira do arco-íris.

 

 

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Exposição do Ano: “Robert Mapplethorpe: Pictures”. Mapplethorpe não era um fotógrafo consensual, mas a exposição “Robert Mapplethorpe: Pictures”, em Serralves, quebrou todas as barreiras. O director do museu de Serralves demitiu-se por alegada interferência da administração, terá havido obras censuradas, a comissão parlamentar de Cultura foi à exposição, a comunicação social analisou ao detalhe as obras e o público aderiu à exposição que destaca corpos nus, prazer e o desejo homossexual e não-heteronormativo. Uma conjugação de eventos mais que improvável.

 

 

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Programa de Televisão do Ano: “O Monte do Manel”. Nunca se tinha visto nada assim na televisão portuguesa e é mesmo possível que seja inédito a nível mundial. Manuel Luís Goucha, provavelmente o apresentador mais popular do país, abriu as portas do seu monte no Alentejo para receber o programa das manhãs da TVI, O Monte do Manel. Ao seu lado tem o marido Rui Oliveira para, em conjunto, receberem convidados e apresentarem as tradições, produtos e músicas da região. A vida a dois do casal é apresentada com a maior naturalidade do mundo. Há meia dúzia de anos seria impossível.

 

 

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Filme do Ano: “Diamantino”. Nunca um filme português tinha misturado os universos do futebol e do imaginário queer. “Diamantino”de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, esteve na corrida ao prémio de Melhor Comédia nos Prémios de Cinema Europeu e  venceu o Grande Prémio da Semana da Crítica em Cannes. O filme conta a história de uma estrela de futebol (inspirado em Cristiano Ronaldo?) que é manipulado pelas irmãs gémeas, que o usam para experiências genéticas e que se torna no porta-voz de um grupo de extrema-direita.

 

 

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Livro do Ano: “Pão de Açúcar”. Doze anos depois, o assassinato de Gisberta continua a inspirar a criação literária e artística.  Desta vez foi Afonso Reis Cabral que juntou em livro factos e ficção para nos trazer um novo ponto de vista da história que abalou a comunidade LGBTI portuguesa: o relato a partir de um dos agressores. "Pão de Açúcar" (edições D. Quixote) é um murro no estômago.

 

 

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Media do Ano: Netflix. Em 2019 a plataforma de streaming HBO chegará a Portugal. Enquanto isso, a Netflix continua a dar cartas na área da produção e divulgação de conteúdos de temática LGBTI. Este ano, foi graças à Netflix que vimos séries como “Elite” (Espanha), “Super Drags” (Brasil) ou “A Casa das Flores” (México). Está também em fase de produção a história de Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga, as espanholas que conseguiram ser o primeiro casal de pessoas do mesmo sexo a contrair casamento no país vizinho, em 1901. Produção portuguesa no Netflix é que nem vê-la.

 

 

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Marca do Ano: Vodafone Portugal. Ainda há um longo caminho a percorrer para que marcas e empresas a operar em Portugal sejam activas no que diz respeito aos direitos LGBTI. A Vodafone deu este ano o exemplo, ao implementar o programa LGBT+ and Friends Connect. O objectivo é recrutar e apoiar pessoas LGBTI no seu primeiro emprego, assim como dotar as chefias de competências para conseguirem integrar da melhor forma estes profissionais nas suas equipas. O programa está a ser desenvolvido em vários países onde a marca está presente.

 

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