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Por que deves seguir o Schuyler Bailar no Instagram (e o que podes aprender)

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Schuyler Bailar (@pinkmantaray no Instagram) é um homem norte-americano de experiência trans que tem uma vasta legião de seguidores. Tem 24 anos, origem sul-coreana e é actualmente nadador da National Collegiate Athletic Association nos EUA.

 

A propósito da Semana da Visibilidade Transgénero, que se observa de 24 a 31 de Março - e que sucede ao Dia da Memória Trans, em que as vidas perdidas nos becos da ignorância desenhada a violência física fatal são lembradas – o influencer norte-americano divulgou uma série de fotos e imagens que abordam algumas das concepções erradas sobre a comunidade trans. Passamos a traduzir as que podem ser traduzidas:

A primeira informa que ‘transgénero’ é um adjectivo e e corrige um erro comummente usado quando nos referimos a uma pessoa de experiência trans em inglês (‘transgendered’, que implica ‘ter-se tornado transgénero’).

Na segunda, informa sobre a semana e nota que as opiniões expressadas são apenas dele, pois dentro da comunidade existem muitas opiniões de pessoas trans que diferem entre si – um alerta de que nenhuma minoria é um monólito e que basta uma pessoa para se representar a si. É também, no entanto, um sublinhado particular para o facto de que a linguagem importa, e a linguagem incorrecta pode ter consequências graves, não só a um nível pessoal mas também a um nível público. Um tweet viral com linguagem mal cuidada e às vezes até ofensiva, mesmo que alegadamente sem intenção (estamos a olhar para ti, JK Rowling!), pode provocar um efeito borboleta que contribui para as situações que a semana e o dia em questão almejam evitar e sensibilizar.

Na terceira, começa a enumerar as imagens. Ponto 1. Aqui Schuyler elabora, usando como exemplo “ele é um transgénero”, que essa linguagem está errada. “Ele é transgénero” ou, melhor ainda, “ele é de experiência trans” é preferível e mais correcto. Também explica que, sendo um adjectivo, homem-trans ou mulher-trans não necessitam estar ligados dessa maneira. Um homem trans é um homem a quem foi atribuído o sexo e género feminino à nascença, não há discussão sobre se é um homem ou não. Apenas é um homem que é trans ou de experiência trans. A mesma lógica, mas com o género e sexo inversos, se aplica a mulheres trans.

Ponto 2. É explicado o que significa o termo cisgénero, que é uma pessoa cujo sexo e género atribuído à nascença não está em oposição à sua identidade. O termo “mulher/homem biológico” é, ironicamente, biologicamente errado. Insinuar a existência de um binário na biologia humana vai contra a ciência, que reconhece vários sexos e géneros, até por obrigatoriedade da existência de pessoas intersexo. Nessa imagem, Schuyler recomenda o seu site (pinkmantaray.com/sex) para mais informações.

Continuando, introduz a identidade não-binária. Após detalhar a sua definição, sendo que Schuyler é, em suma, uma pessoa que não se identifica como estando sequer dentro dos confinamentos do binário homem e mulher, explica que não há uma maneira específica de ser não-binário, sendo que expressões de género que inclusive se encaixem no binário não invalidam a identidade da pessoa, e aproveita para lançar a nota que, no inglês, o uso de “they/them” (linguagem neutra em género) para uma pessoa e não para um colectivo foi oficialmente codificada no dicionário Merriam-Webster em 2019, mas a história comprova que já era o caso muito antes de sequer a Cher nascer.

Na quinta imagem, é detalhada a linguagem para se referir a uma pessoa trans. “Quando ele era uma rapariga”, por exemplo, é incorrecto, porque ele nunca foi uma rapariga, daí ter feito a transição, para afirmar a sua identidade. ‘transicionar ‘, no contexto trans, aplica-se a uma pessoa que tomou medidas para expressar o seu género a um nível social. Pode ou não envolver intervenção médica. A maneira correcta de informar que a pessoa passou por um período em que o seu género não era reconhecido ou assumido é “a ele foi atribuído o sexo (e/ou género) feminino à nascença” (novamente, mesma lógica mas com géneros inversos para casos de mulheres trans). Assim, não se afirma incorrectamente que a transição foi opcional ou que a identidade alterou-se a certo ponto, da mesma maneira que uma pessoa gay não se tornou gay quando se assumiu e antes era hétero (mas isto, como tudo, há casos e casos).

Seguidamente, Schuyler apresenta a definição de sexo e apresenta termos como “sexo de nascença” ou “sexo biológico”, dos quais discorda e elabora que ser atribuído à nascença um sexo e/ou género meramente por apresentar genitália que associamos a esse sexo e/ou género não equivale a ter nascido esse sexo e/ou género. O influencer norte-americano sublinha que biologia é muito mais complicada que pénis = homem e vagina = mulher (esse binário é contrário às provas cientificas) e é importante sublinhar (algo que ele não inclui) que há alguma discordância na comunidade sobre o tópico (há, sim, quem afirme “nasci (biologicamente) mulher e transicionei para homem”, por exemplo).

O ponto 6 clarifica a diferença entre identidade e expressão de género. Identidade é como a pessoa experiência o seu género e expressão é como ela escolhe se apresentar socialmente (estilo, no fundo), e nem sempre são congruentes. Remata com algo interessante: o conceito, algumas vezes acarinhado, de que o género está morto (aludindo à filosofia teológica de Nietzsche) está incorrecto, pois é invalidante (sem género, não existe identidade de género. Este é outro tópico muito debatido dentro da comunidade).

Ponto 7, e quase terminando a contagem, Schuyler clarifica que sexualidade e identidade de género não são gémeos. Uma pessoa pode ou não ser trans e, em ambos os casos, pode ter qualquer sexualidade. Assumir que uma pessoa trans automaticamente é de sexualidade gay é incrivelmente problemático e dá asas a que pessoas transfóbicas marquem, por exemplo, um homem hetero namorando uma mulher trans como sendo gay, invalidando a mulher e categorizando incorrectamente o homem.

Finalmente, ele apresenta um gráfico de terminologia trans. Aqui são incluídas coisas já previamente discutidas, e Schuyler aproveita para acrescentar alguns tópicos como “quando ele se apresentava como mulher/no feminino/etc” ou “ele pré-transição” em revés de “quando ele era mulher/etc.” ou “quando virou homem/etc.”, acabando por lembrar que este tipo de perguntas invasivas sobre o processo ou ponto de transição de uma pessoa trans é extremamente rude e desrespeitoso, visto não ser da conta de ninguém, a não ser que haja uma abertura para haver essa conversa por parte da pessoa de experiência trans.

Este post conta com quase 30 mil likes e num post seguinte, ainda com 13 mil e qualquer coisa, risca a palavra visibilidade e pede, no seu lugar, acção, sendo um pedido a membros da comunidade e aliados, principalmente nos EUA, a tomarem acção para que leis e medidas recentemente propostas que ferem a comunidade sejam clara e explicitamente condenadas, neste caso por meio de contacto com as instituições governantes. No post, aconselha visitar o seu site (desta vez ver pinkmantaray.com/transbills) para refutações a preconceitos comuns que alimentam muitas destas leis e medidas.

 

Summy Luís

 

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