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Prémios dezanove: Os melhores de 2019

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Pelo décimo ano consecutivo o site de notícias e cultura LGBT dezanove.pt distingue as personalidades e acontecimentos que marcaram a actualidade LGBT em 2019. Aqui ficam as nossas escolhas.

 

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E de repente, em Agosto, todo o país discutiu o tema das casas-de-banho nas escolas, depois de ter sido publicado em Diário da República o despacho do Ministério da Educação que esclarece as normas sobre como deve ser aplicada a Lei de Identidade de Género nos estabelecimentos de ensino. As escolas devem agora garantir que a criança ou o jovem possa aceder às casas de banho e balneários “em consideração a sua vontade expressa e assegurando a sua intimidade de singularidade”. Logo a seguir sectores radicais acusaram o governo de promover as “casas-de-banho mistas” e a “ideologia de género”. Deputados do PSD e do CDS pediram ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva das normas. Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, ameaçou até avançar com uma acção judicial e foi criada até uma petição contra os direitos das crianças e adolescentes transgénero. O assunto desapareceu do palco mediático e foi dado mais um passo em prol da igualdade das pessoas transgénero.


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28 de Junho de 1960. É a data incontornável do movimento LGBTI. Há cinquenta anos, nos Estados Unidos, um conjunto de pessoas revoltava-se sem precedentes contra a discriminação. E, um ano mais tarde, celebrava-se a primeira marcha do orgulho. Este é o início do movimento que, por todo o mundo, continua a desafiar a sociedade para que haja mais mudanças nas leis com um objectivo único: a igualdade.

Em Portugal também se acompanhou este tema através de múltiplas vozes e acções para que Stonewall continue a ser uma inspiração, mas sobretudo uma homenagem e um grito de liberdade.

 

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Conan Osíris é singular e desafiante. A personagem criada por Tiago Miranda diz-nos a cada dia que não há tabus seja em que domínio for. 

Ao lado do bailarino João Reis Moreira, o cantor que representou Portugal na Eurovisão, com o tema “Telemóveis” tornando-se num hit internacional. Mesmo não tendo passado à final, a arte de Conan Osíris mostra-nos que nos devemos orgulhar da nossa diversidade e que tudo tem mais significado para além do óbvio.

 

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Daniela e Isabel são o terceiro casal em Portugal a engravidar através da maternidade partilhada, porém o primeiro a falar publicamente e abertamente de todo o processo. A Leonor nasceu em Setembro, cheia de amor e saúde. Num tema onde carecem de referências, tornaram-se essenciais para a discussão e exemplos positivos da temática junto dos media e do público português.

 

premios-politico.pngParece já um acontecimento longínquo, mas no Verão o país esteve a discutir a falsa questão das casas-de-banho nas escolas. A poucas semanas das eleições legislativas os partidos de direita tentaram transformar o assunto numa matéria fracturante. As redes socais foram também um palco privilegiado para a desinformação e as notícias falsas relativas ao despacho do Ministério da Educação que esclarecia as normas sobre como deve ser aplicada a Lei de Identidade de Género nos estabelecimentos de ensino. Coube ao secretário de Estado João Costa dar a cara pela luta pela igualdade e defender o despacho. 

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Procurar levar conhecimento a quem já tenha iniciado ou esteja a pensar iniciar o seu processo de transição, bem como, a todas as famílias LGBTI a o público em geral, e, assim, ajudar a criar uma realidade mais humana". É sobre este notável pretexto que Ary Zara Pinto e Isaac dos Santos, duas pessoas trans, que iniciaram o seu processo de transição há 3 anos, lançaram, em Setembro de 2019, o canal T Guys Cuddle Too no Youtube. É o primeiro canal deste tipo no nosso país com que temos sido presenteados semanalmente com vídeos elucidativos sobre identidade e expressão de género, orientação sexual, o processo de 'coming out', as expectativas que a sociedade, etapas e desafios de um processo de transição. Ambos (e muitas vezes com a ajuda de convidados: já por lá passaram Aurora Pinho, 'Kiko is Hot' e os Fado Bicha).  esclarecem dúvidas e dão dicas importantes numa conversa alegre e descontraída.

 

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Anos de luta para se conseguir algo que os mais frágeis ansiavam e os activistas LGBTI reclamavam: ter também em Lisboa uma casa onde os jovens LGBTI entre os 16 e os 23 anos se pudessem abrigar se fossem expulsos de casa dos pais. Desde 20 de Dezembro, e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, jovens que estejam  em situação de rua ou precisem de aconselhamento específico para a autonomia e definirem um percurso de vida têm, finalmente, um porto de abrigo. Uma resposta premente e necessária num país ainda a tantas velocidades na aceitação das pessoas LGBTI .

 

premios-associacao.pngFoi o ano mais importante desde a fundação da associação de empresários e negócios LGBTI Variações.  A Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal liderou o processo de candidatura de Portugal a receber o Europride 2022 (que viria a ser conquistado por Belgrado). A Variações, a ILGA e a rede ex aequo foram recebidas por Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, onde puderam apresentar os pormenores da iniciativa. A Variações, com o apoio do Turismo de Portugal, lançou a primeira campanha multimeios para posicionar o país como destino turístico LGBTI. Organizou ainda a primeira edição do evento ao ar livre Porto Pride e o festival Proudly Portugal em Madrid. 

 

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Um clube para todos”. Foi com esta campanha que o Clube Estoril Praia se posicionou publicamente contra a discriminação e o preconceito no desporto, além de ter realizado acções de formação junto de desportistas e da equipa técnica. A simbolizar esta acção apresentaram um cachecol com as cores do arco-íris, entretanto já não disponível, assim como colocaram estas cores nas braçadeiras de capitão e de treinadores.

Seja a família como for, o importante é haver amor”. Através deste lema o Sport Lisboa e Benfica lançou uma campanha voltada para a família, lançando de um vídeo promocional em que retrata e refere diferentes tipos de família, inclusivas e igualitárias, espelhando a diversidade que compõe a nossa sociedade.

 

premios-campanha.pngIncrível com o chegamos a 2019 e continuam a ser necessárias campanhas com estas características. Pessoas reais dão a cara pela campanha “Nós Paramos o VIH”, que se desdobra em cartazes diferentes, como o do apelo ao uso do preservativo, à realização do teste do VIH, à divulgação da profilaxia pré-exposição (PrEP) e à explicação do conceito Indetectável=Intransmissível. A iniciativa resulta da colaboração da Câmara Municipal de Lisboa e o Grupo de Activistas em Tratamentos (GAT), com o apoio da Direcção-Geral da Saúde, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e de outras associações como A Avó veio trabalhar, a Casa do Brasil de Lisboa e a Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa. Estará nas ruas até Setembro de 2020, quando a cidade de Lisboa receber a 2.ª conferência mundial da Fast-Track Cities.

Teve impacto apenas na região de Lisboa, mas uma campanha com estas características devia ter dimensão nacional. 

 

premios-marca.pngA presença de marcas nas Marchas do Orgulho tem alimentado um longo debate entre activistas LGBTI, pesando os prós e os contras. Em 2019 a Microsoft deu um passo em frente uma vez que integrou com um autocarro a Marcha do Orgulho LGBTI de Lisboa com uma comitiva de colaboradores e familiares. A empresa conta em Portugal com um núcleo da GLEAM (Global LGBTQI+ Employees and Allies at Microsoft). A nível global, durante as comemorações do Pride, a empresa desenvolveu iniciativas de visibilidade LGBTI em 30 países e mais de 60 cidades, tendo participado mais de quatro mil colaboradores. 

 

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278182! Sim, foram 278182 espectadores que "Variações" levou às salas de cinema, tendo-se tornado o quinto filme português mais visto de sempre. A película demorou vários anos para que visse a luz do dia. Tornou-se (quase) um projecto de vida do realizador, João Maia, e do actor que dá corpo a António Variações, Sérgio Praia. Valeu a pena a espera. Deram-nos um dos melhores filmes do ano e o melhor filme português do ano. O seu sucesso nas bilheteiras não só prova que António Variações é muito amado e acarinhado, mas também que, quando é feito um bom filme português, com boas interpretações e bom argumento, as pessoas aderem e vão vê-lo. E destaque ainda para Sérgio Praia e o seu talento, tendo-se tornado o actor do momento em Portugal.

 

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Peça ficcionada e teorizante, da autoria e encenação de Fernando Heitor, a partir duma notícia de 17 de Julho de 2007, do jornal Público e assinada por São José Almeida, “O estado Novo dizia que não havia homossexuais, mas perseguia-os”. Desde o primeiro momento em que Flávio Gil, enquanto Mário, entra em cena que há empatia pelos acontecimentos da vida do personagem. A noção de que certas atitudes e comportamentos não deixaram de existir, apenas se adaptaram aos tempos, e de que a luta pelos direitos LGBTI deve continuar para que mais ninguém passe pelo mesmo, é enorme. Toda a parte vivida durante o internamento é um murro no estômago que nos deixa sem ar, sem forças, com lágrimas, num sufoco quase impossível de ultrapassar. Toda a experiência é tocante e aterradora.

 

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Desempoeirado, sério, sem tabús e emotivo. No Verão de 2019 Joana Martins conseguiu fazer tocar muitos corações e consciências a partir do pequeno ecrã e telas dos smartphones ligados na RTP Play. Como lidamos com o preconceito? Como o ultrapassamos vivendo-o na pele ou assistindo ao que nos rodeia? Joana Martins teve o condão e o mérito de nos apresentar dez protagonistas que nos ajudaram a aprender algo tão simples, mas às vezes tão complexo: respeitar.

 

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De há umas semanas para cá começamos a ser presenteados com um novo programa na rádio Movimento e que também pode ser ouvido online. Da autoria de Helder Bértolo e de António Serzedelo o programa tem vindo a abordar temas como o envelhecimento ou a visibilidade na comunidade LGBTIQ, as marchas do orgulho, as relações amorosas, a seropositividade e a SIDA, entre muitos outros. Um programa belo e colorido com mais vozes para complementar a nossa semana.

 

premios-livro.pngRelembramos já que Inês Marto é colaboradora do dezanove.pt mas não foi isso que determinou a nossa escolha para o prémio de Livro do Ano. A sua obra “Metamorfose” (edição Lua de Marfim) é o relato, em vários textos, de uma transformação pessoal. No entanto, a escritora assegura que não se trata de uma biografia. “Muito do que constitui este livro também vai além de mim”, refere. As questões LGBTI têm tido um papel central no seu trabalho. Aliás, a letra de “Valentim”, inspirado na vida do bailarino Valentim de Barros e interpretada pelos Fado Bicha, é da sua autoria.

 

premios-dezanove.jpgJoão Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira já nos habituaram a propostas arriscadas em locais institucionais. É certo que o MAAT tem a porta aberta a diferentes linguagens, mas “Ama como a estrada começa” destaca-se por ser uma instalação com dois andares, que evoca os espaços de engate da comunidade gay. Tudo para recordar um momento histórico: a detenção ao artista surrealista Mário Cesariny na Prisão de Fresnes, a sul de Paris, acusado de “atentado ao pudor”. 

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A entrada do assessor de Joacine no Parlamento foi alvo de múltiplas notícias e pôs um país a falar de um homem de saias. Tal como as liberdades e os Direitos das pessoas LGBTI se vêm muitas vezes alvo de escárnio na praça pública e nos comentários online, Rafael Esteves Martins lembrou o óbvio:  "As escolhas sobre o que visto são minhas e estão dentro da lei".

 

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Não é um coming out pessoal, individual de A ou de B. O destaque vai para a campanha levada a cabo pela associação ILGA Portugal em parceria com a MOP - Multimedia Outdoors Portugal e a agência de comunicação e marketing FCB. Quantos terão visto nas notícias ou simbolicamente atravessado aquele armário e sentido que chegou a sua vez de ser feliz? De referir que este apelo à inclusão e à vivência plena e pública da orientação sexual ou identidade de género é efectuada com o apoio dos voluntários e dos vários projectos da associação, como, por exemplo, a Linha LGBT.

  

 

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Dois episódios marcaram o ano em Portugal e nos mostram que é importante condenar legal, pública e veementemente este tipo de acções, que de resto já foram ilegalizadas noutros países.

Conseguir “superar” a homossexualidade, fazendo terapias de reconversão ou reorientação sexual. Eram estas as promessas da psicóloga Maria José Vilaça, que compara a homossexualidade a um “surto psicótico”. Da autoria da jornalista Ana Leal, a reportagem exibida na TVI explicava como funcionam estas “terapias” recorrendo a consultas com psicólogos, psiquiatras e padres da Igreja Católica que acreditam que é possível mudar a orientação sexual das pessoas.

Durante este ano, foi também enviada uma mensagem através da rede social Grindr por Elena Lorenzo, que se auto-intitula “coach em Atracção Pelo Mesmo Sexo”, numa tentativa  de encaminhar homossexuais para uma “cura”, com o mote “Você pode deixar para trás a homossexualidade”.

 

 

 

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