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Sexo sob efeito de drogas: um Grupo de Apoio Mútuo online pelo CheckpointLX para HSH que fazem chemsex

Filipe Couto Gomes e João Caldas - opinião.png

Não é recente nem invulgar o uso de substância com efeito de desinibição social e sexual ou que favorecem a ‘mecânica’ sexual para potenciar as experiências eróticas, desbloquear a interacção com outra(s) pessoa(s) ou facilitar uma determinada prática sexual.

Entre as substâncias mais usadas estão o álcool, GHB, poppers, inibidores da fosfodiesterase-5 (Viagra e medicamentos similares), estimulantes (cocaína, Bloom, 3-mmc, Tina), entre outras. Estes consumos acontecem em todos os contextos em que acontecem práticas sexuais: num relacionamento estável, em encontros e festas com variável número de pessoas, via internet ou a sós. Chemsex é um termo de origem britânica (derivado de ‘chemical sex’) que traz ênfase à popularização do consumo de GHB e estimulantes com intuitos sexuais entre homens que têm sexo com homens (HSH), por pessoas não-cisgénero e no trabalho sexual, incluindo bastantes pessoas que vivem com VIH.

Sobre estas pessoas, que combinam uso de drogas com sexualidade não-normativa, recaem estereótipos de imoralidade, descontrolo e doença. É verdade que algumas se deparam com dificuldades sexuais, psicológicas, médicas e na gestão dos consumos. Ainda assim, fazer chemsex não retira a capacidade de informar-se sobre riscos associados, pôr em prática estratégias de consumos e sexo mais seguros e usar recursos de Saúde quando pertinentes (drug checking, Consulta de PrEP, rastreios médicos, Consulta de IST, aconselhamento psicológico, Consulta de Adicções). Também não podem ser desconsideradas as experiências de prazer, euforia e libertação presentes no chemsex.

Os moralismos relativamente ao chemsex incluem considerá-lo um perigo para a ‘saúde pública’, evitar abordar este tema e, entre profissionais e interventores, não desenvolver competências ajustadas. Mesmo num contexto de despenalização do consumo de drogas como é o de Portugal, esta atitude faz com que os praticantes se ocultem e não ponham em prática estratégias de redução de riscos. Adicionalmente, esta mesma atitude contribui para que os praticantes não acedam a recursos de Saúde e os riscos sejam potenciados (ausência de socorro em situações de intoxicação grave, aumento dos comportamentos abusivos e violentos, aumento da transmissão de infecções).

Os moralismos relativamente ao chemsex incluem considerá-lo um perigo para a ‘saúde pública’, evitar abordar este tema e, entre profissionais e interventores, não desenvolver competências ajustadas. [...] Adicionalmente, esta mesma atitude contribui para que os praticantes não acedam a recursos de Saúde e os riscos sejam potenciados (ausência de socorro em situações de intoxicação grave, aumento dos comportamentos abusivos e violentos, aumento da transmissão de infecções).

Para lá da alteração do estado sensorial e de consciência, as práticas de chemsex frequentemente se constituem como momentos de socialização, no sentido da experimentação partilhada, mas também como escape à solidão. Há no chemsex a transmissão entre praticantes de um saber-fazer ligado aos efeitos das substâncias, aos modos de consumo e a práticas sexuais particulares. Estes aspectos de mútua aprendizagem, partilha de experiências e aconselhamento são bastante valiosos quando se pensa sobre formas de fazer chegar informação, estratégias e recursos. Ao obterem estas ferramentas nos serviços em que trabalhamos, várias pessoas têm manifestado a vontade de contribuir para que outros praticantes que conhecem também lhes acedam.

O CheckpointLX está a iniciar um Grupo de Apoio Mútuo online dirigido a HSH que fazem chemsex. É anónimo, uso de câmara facultativo, mediado por HSH que faz chemsex e por HSH profissional de Saúde. Não é um espaço de promoção de abstinência nem psicoterapêutico, mas podemos indicar estruturas para acompanhamento clínico competente e especializado. Para mais informações e inscrição no GAM: e-mail para filipe.gomes@gatportugal.org, indicando interesse, após o qual é enviada informação sobre data de início e link para a videochamada. Agradecemos a divulgação junto de HSH que fazem chemsex.

 

João Caldas - Interventor em Redução de Riscos e Mediador de Pares (GAT)

Filipe Couto Gomes - Psiquiatra com formação em Sexologia (GAT; Kosmicare)

 

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