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Pedro Delgado, mais conhecido como Sylvia Koonz, dá a conhecer um pouco sobre a profissão de drag queen, que cada vez tem um impacto maior na sociedade. Youtuber, ilustradora e performer, Sylvia pretende desenvolver a sua personagem, de modo a chegar a um maior número de pessoas.

Fim de tarde no Saldanha, em  Lisboa. Pedro caminha com um chapéu, numa tarde de chuva que não convidava ninguém a sair de casa. O interior do Evolution Hotel acolhe comodamente, uma conversa amigável. Muito descontraidamente, Pedro começa por contar o seu percurso de vida, até chegar à profissão de drag queen.
O conceito de drag queen surgiu no século XIX, para designar os homens atores que se fantasiavam de mulheres para as peças de teatro. Atualmente, o conceito está cada vez mais modernizado através da influência de vários artistas, como RuPaul que criou o reality show RuPaul’s Drag Race nos Estados Unidos, atribuindo uma grande visibilidade às drags.
“Eu sou de uma terra pequena e não sabia o que era ser drag”, começa por dizer Pedro. Natural da cidade de Santarém, viveu até aos 18 anos numa pequena aldeia onde o conceito drag queen não era conhecido. “Só no final do 12.º ano é que comecei a perceber o que era uma drag queen”, afirma. Depois de terminar o secundário, Pedro veio para Lisboa onde decidiu ir para a faculdade, tirar um curso na área da Sociologia. Inicialmente a vinda para a capital foi bastante complicada, pois não tinha qualquer tipo de amigos. “Eu não bebia, não saía, ficava muito tempo em casa a jogar computador, e não tinha amigos nenhuns”, explica. No final do primeiro ano de faculdade, na altura do verão, Pedro decidiu mudar. “Cortei o cabelo, coloquei um piercing no septo, e comecei a vestir-me de outra forma”.

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Após essa mudança, Pedro começou a sair à noite com pessoas que conheceu num jogo da internet chamado Second Life [jogo que se equipara a alguns aspectos da vida real do ser humano]. E, foi através do jogo que surgiu a ideia do nome que iria dar vida à sua drag queen. Em 2012, ao criar uma personagem feminina no Second Life, Pedro rendeu-se ao nome de Sylvia Plath [poeta, romancista e escritora de pequenos contos, norte-americana], mencionada na música Dance in the Dark, da cantora Lady Gaga. O apelido foi, também ele, inspirado na mesma artista. Koons, adaptado por Pedro para Koonz, é o apelido do escultor que desenhou uma estátua de Lady Gaga. “Se algum dia parar de fazer a Sylvia Koonz, vai ser imortal como a estátua da Lady Gaga, que se encontra em Nova Iorque. Vai sempre existir em mim”.
A curiosidade sobre a arte do transformismo começou quando, pela primeira vez, entrou na discoteca Trumps, no Príncipe Real. “Mal entrei, olhei para a minha direita, vi a Rebecca Bunny [drag queen], minha colega atual, e percebi que, não só queria, como iria fazer aquilo algum dia”. No final de 2016, Pedro conheceu um rapaz que atuava como drag, no clube noturno chamado Finalmente.
Todas as segundas-feiras, Pedro ia ver as atuações, e foi nesse clube que surgiu a oportunidade de, pela primeira vez, a Sylvia Koonz se dar a conhecer ao público. Desde a primeira atuação no Finalmente, Sylvia Koonz apresentou-se apenas durante 4 meses. “Parei de atuar, porque as pessoas criticavam imenso a minha maquilhagem, a minha dança, até mesmo a minha roupa, e isso desgastou-me”, confessa Pedro, que pensou em desistir desta profissão.
Contudo, já tinha colocado a sua inscrição num concurso de drag queens que surgiu em Portugal, intitulado Miss Drag Lisboa 2017, na qual foi vencedor. “Eu fui ao concurso, porque já me tinha inscrito, mas prometi que não ia voltar a atuar. No fim, ganhei”.
Miss Drag Lisboa, o concurso inspirado nos programas de modelos norte-americanos, teve a primeira edição em novembro de 2017. Miss Moço, drag queen luso canadiana, trouxe a ideia do concurso para Portugal, em parceria com Miguel Rita. “Depois de me mudar para Lisboa, não havia nenhum concurso destes em Portugal e a ideia acabou por surgir”, confessa a drag. O objetivo é eleger a melhor drag da capital. Para essa eleição, as concorrentes têm de cumprir várias provas que incluem desfilar de fato de banho, vestido de gala, ou até mesmo ter um número músical. O ano passado concorreram apenas 7 transformistas. Na edição de 2018, estiveram presentes 12 drags, sendo a grande vencedora LOLA herself, que recebeu a coroa das mãos da vencedora da edição passada: Sylvia Koonz.

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Após ganhar o concurso Miss Drag Lisboa 2017, Sylvia Koonz não mais parou, e teve como prémio poder atuar, em junho deste ano, no Arraial Pride, com umas das drags brasileiras do momento: Pabllo Vittar. A partir desse momento, Pedro começou a investir na sua carreira de drag queen, e a familiarizar-se com todos os conceitos e temas que a arte engloba. À medida que avança sobre o tema, começa por esclarecer algumas questões. “Cada drag queen tem o seu próprio estilo, e as pessoas têm tendência a colocar nomes a esses estilos. Existem umas mais femininas, outras mais masculinas, mas cada uma com a sua identidade”.   
Dentro da área do transformismo, existem várias definições onde, por norma, as pessoas não conseguem distinguir as diferenças. Entre travesti e drag queen, a diferença é nula, pois como Pedro refere “transformismo, travesti e drag em Portugal é tudo a mesma coisa”. A definição não científica aplicada para esta área, é a de pessoas que se vestem com roupas diferentes para fazer um show. No Brasil, esta realidade já não acontece, uma vez que os termos não tem conotações iguais, e envolvem questões sociais. Contudo, o termo travesti em Portugal é usado, por algumas pessoas, de modo ofensivo: “Já me aconteceu ir na rua e dizerem ‘olha o traveco’”.  
Pedro pretende continuar a apostar na arte do transformismo, e com a divulgação de um vídeo no seu canal, que está para breve, espera conseguir “atingir” a atenção das pessoas. No fim da entrevista, Pedro confessa: “Para mim ser a Sylvia é parte da minha personalidade. É a minha versão mais excêntrica e confiante."

 

Reportagem da autoria de Cláudia Castro

 

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