Da repressão à revolta: a noite em que corpos dissidentes deixaram de fugir e esconder.
Junho é tempo de memória, celebração e resistência. Neste mês do Pride, regressamos àquela noite que incendiou consciências e fez tremer estruturas — a revolta de Stonewall. Entre violência policial e corpos dissidentes que recusaram continuar a esconder-se, nasceu uma nova força colectiva. Este artigo mergulha nos acontecimentos que transformaram um bar em Nova Iorque num símbolo global de luta e afirmação queer.
Corre no meio corporativo uma piada, há até alguns memes acerca disso, que diz que as empresas se valem do mês de Junho para mostrar ao mundo que são inclusivas, mas chegado o dia 30 guardam as bandeiras arco-írise esquecem-se o resto do ano da comunidade LGBTQ'.
Aproveitando o início do Mês do Orgulho, a ILGA World divulgou novos dados e mapas destacando como as leis afectam as pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo (LGBTI) em todo o mundo.
"Raparigas Rebeldes: Celebrar o Orgulho" é uma edição da colecção Raparigas Rebeldes dedicada ao mês do orgulho. Direccionada sobretudo aos mais jovens, esta colectânea apresenta 25 histórias inspiradoras de mulheres e pessoas não-binárias LGBTQ+, destacando as suas lutas, conquistas e o impacto que têm em diversos domínios, como a ciência, o desporto e o activismo político.
Há algum tempo que desejo entender melhor a origem do Mês do Orgulho ou Pride Month. Ao fazer pesquisas aprendi um pouco sobre uma figura muito importante deste mês no qual se celebra a diversidade: Marsha P. Johnson. Muitos conhecem a sua figura, mas mais interessante é conhecer a sua história e o seu papel para o mundo LGBTQIA+.
Ah, o Mês do Orgulho. O mês mais colorido do ano – em teoria.
Na prática, nem sempre me é fácil ver para além dos tons acinzentados, face à rota distópica em que nos encontramos. Entre a ascensão da extrema-direita na Europa, um genocídio a acontecer na Palestina com impunidade para Israel, e uma notícia nova todos os dias sobre como estamos a tornar o planeta cada vez mais inabitável, quase que me esqueço quais são as cores do arco-íris.
Chegou Junho, o mês do Orgulho LGBTI+! Desde há 14 anos acompanhamos a actualidade LGBTI+ ao longo de todos os dias do ano, mas em especial durante este mês o nosso orgulho está mais presente e geograficamente disseminado em todo o país!
Neste mês saímos às ruas e queremos estar ainda mais presentes nas inúmeras actividades que celebram com orgulho a nossa orientação sexual, a nossa identidade e a nossa expressão de género, sem nunca esquecer quem lutou antes de nós e continua a estar ao nosso lado!
Os retrocessos estão a prejudicar o progresso alcançado em direcção à igualdade de direitos para as pessoas LGBTI, afirmou hoje a ILGA World, à medida que as vidas de lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais continuam a estar no centro dos debates jurídicos em todo o mundo.
Deixamos o alerta às comissões de organização das próximas marchas do Orgulho: membros da associação de extrema-direita “Habeas Corpus” têm usado as redes sociais para deixar mensagens intimidatórias e ameaças de confrontação nos eventos a ter lugar em Junho. Apesar de a promoção do medo ser uma das artimanhas a que estes grupos mais recorrem, acreditamos que não se deve incorrer em riscos desnecessários.
O Pride Month chega novamente ao mundo no próximo mês de Junho, quando pessoas de todas as nações celebram ser LGBTQ com orgulho. A sigla LGBTQIA, às vezes com a adição de outras letras, vem do inglês e significa "Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer, Intersex e Asexual". O termo surgiu originalmente de um movimento colectivo para combater a discriminação contra a orientação sexual e a identidade de género. Esta questão continua até hoje em alguns países onde a orientação sexual pelo mesmo sexo ainda é, por vezes, discriminada.
Bia Ferreira, cantora negra e lésbica usa a palavra como tecnologia do desconforto. A luta contra o racismo e a lgbtfobia é feita pela palavra e pela participação do público. O concerto nos Jardins de Verão da Fundação Calouste Gulbenkian terminou com o canto colectivo que serviu de aviso para aqueles que negam os impactos do racismo e da homolesbotransfobia na vida concreta das pessoas: “A conta vai chegar!!!
A extravagância colorida das marchas populares, das roupas às vestes, das canções à dança; ou a euforia das celebrações do título do Benfica, do Sporting ou do Porto entre os cachecóis, os cânticos, todo o aparato do palco e os milhares de pessoas que se aglomeram para gritar tão intensamente, o que têm em comum com uma manifestação do Orgulho LGBTQIA+?
A Revolta de Stonewall foi uma série de manifestações violentas e espontâneas por membros da então designada Comunidade Gay contra uma invasão, a 28 de Junho de 1969, do bar Stonewall Inn pela polícia de Nova Iorque. Essas manifestações são consideradas como o acontecimento está na génese da criação de movimentos actuais de defesa, apoio e rendivicação dos direitos actuais da Comunidade LGBTQI+.
Comecei a trabalhar na Fujitsu Portugal em 2013, um pouco por acaso e nunca pensando fazer carreira na área do IT. A minha formação é em literatura e história, havia trabalhado sempre em livrarias, sobretudo de bairro, com poucos colegas; iniciar a minha actividade profissional numa multinacional pareceu-me assustador! Como iria falar três línguas diferentes e dar apoio a empresas a nível informático, se o que sabia pouco mais era do que fazer um ou outro documento em Word, um ou outro Powerpoint?
Junho é o mês do orgulho e este ano, como em anos anteriores, assistimos a uma corrida das marcas ao arco-íris. Junho já lá vai, mas esta adopção temporária de símbolos, linguagem ou imagens ligadas à comunidade LGBT sem real compromisso pela luta pelos direitos das pessoas LGBT, por vezes denominada de rainbow-washing, é todos os anos fortemente criticada enquanto apropriação da simbologia queer apenas para obtenção de lucros.
É agora. Pleno mês de Junho, o mês do orgulho LGBTQIA+. A luta pelos direitos (conquistados e por conquistar) requer estar mais presente do que nunca, porque nada nos garante que o que até agora conquistámos não nos é retirado.
Junho é, como bem sabemos, o mês do orgulho LGBTI+. Um mês em que revisitamos aquele que fora o primeiro momento político de rua, da comunidade LGBTI+.
A partir dos motins que se desenrolaram no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, espaço de pertença e socialização de pessoas LGBT, frequentemente sujeitas à violência e perseguição policial, mostravam naquele mês de Junho de 1969, querer por termo à marginalização a que estavam sujeitas, tendo ao longo de uma semana, despertado uma onda de protestos revolucionários que se iriam depois fazer repercutir a outras partes do mundo.
Expondo os crimes de ódio e desrespeito associados ao estigma de género e identidade sexual, os revolucionários movimentos activistas LGBTI+, mostravam reunir em si o sentido de uma comunidade própria, diversa, com voz e reconhecimento de um esforço comum pela visibilidade da(s) identidade(s) de género e alcance da universalidade dos direitos humanos. Ainda que sujeitos a tensões entre movimentos pela visibilidade gay, lésbica e trans, entre valores e representações limitadores da feminilidade e masculinidade, o sentido de comunidade LGBTI+ foi crescendo ao longo das últimas décadas do séc. XX, tendo a atrocidade causada pela pandemia VIH/SIDA, catapultado a criação de projectos políticos nacionais que reconhecessem e protegessem as pessoas LGBTI+.
Em Portugal, um país marcadamente católico e com profundas cicatrizes de um regime autoritário de longa data, o movimento LGBTI+ mostrara grandes dificuldades em se fazer expressar. Fora na década de 1990, muito por mérito das associações de apoio a pessoas VIH/SIDA (Associação Abraço), da força de partidos de esquerda (GTH-PSR), e da abertura do Centro Comunitário Gay e Lésbico em Lisboa (ILGA Portugal), que começaram a florescer os primeiros sinais de uma cultura queer. A também produção de conhecimento científico sobre Estudos de Género aliada à criação de legislação em matérias de sexualidade e igualdade de género, traziam o país, anos mais tarde, para uma posição pioneira em matérias de igualdade e diversidade nos rankings dos países mais LGBTI+ friendly do mundo.
Na década de 1990, muito por mérito das associações de apoio a pessoas VIH/SIDA (Associação Abraço), da força de partidos de esquerda (GTH-PSR), e da abertura do Centro Comunitário Gay e Lésbico em Lisboa (ILGA Portugal) começaram a florescer os primeiros sinais de uma cultura queer.
A abertura à diversidade e à democratização das relações de género, através da criação de legislação própria em matérias de não discriminação da orientação sexual ou da autonomização das identidades de género, trouxeram uma abertura e avanço ímpar no que toca ao reconhecimento e protecção de pessoas de identidade diversa, habitualmente entregues à clandestinidade social. Para isso muito contribuíram as instâncias internacionais, que reconhecem a diversidade de género e sexual, emitindo recomendações aos Estados de Direito, mas, e, sobretudo, a nível nacional, o papel de todas aquelas pessoas que contribuíram para a criação de um activismo LGBTI+. Um activismo que relembra os avanços e recuos no que toca a matérias do domínio do género, sexo e sexualidade, não deixando de reconhecer a inalienabilidade dos direitos humanos e da obrigatoriedade dos governos nacionais em produzirem legislação que proteja estas pessoas.
Actualmente, Portugal conta com mais de uma dúzia de marchas de Orgulho LGBTI+. Do Norte ao Sul do país, do interior para os arquipélagos, de Barcelos ao Algarve, Madeira e Açores, os movimentos em prol da defesa dos direitos de igualdade e reconhecimento identitário de género ou sexualidade, erguem-se face às clássicas e demagógicas assimetrias de género binário heterossexual. Lutando pela vida pessoal e social, pela vida em família, por trabalho e direito à cidadania, o mês do orgulho ainda que com restrições pandémicas volta a fazer-se cumprir nas ruas, não esquecendo que a diversidade ou a diferença que a todos nos caracteriza, continua a ser motivo de controlo e de marginalização para aqueles que transgridem as negativas convenções sociais. Um mês que sinaliza as lutas que faltam cumprir, apelando à acção e reflexão das narrativas opressivas e estereotipadas da(s) identidade(s) singulares e comunitárias.
Em Junho cumpre-se o direito a ocupar as ruas sob a cor do arco-íris.
Daniel Santos Morais é mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e licenciado em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra